quarta-feira, 28 de abril de 2010

Cotidiano.

Você joga a roupa no cesto, entra no boxe e liga o chuveiro. Então coloca somente a mão direita para sentir a temperatura aumentar, a água tem que estar quente.
Seu corpo está dolorido, devastado por sua rotina, onde sempre faz o que detesta. Seus olhos cansados e vermelhos não deixa dúvida de que você não para de se entorpecer. Drogas licitas, álcool, cigarro e remédios, que ajudam a aguentar a pressão de ter que ser feliz.
Então você pensa nos dias que se passam, em como a vida é breve e as vezes longa demais. Fica tomado pelo silêncio.

Percebe que gasta horas demais na frente do computador, que talvez somente lá se encontra com você mesmo, não tem motivos pra fingir e nem rótolos pra seguir, pois qualquer coisa não é você que está ali.
Não tem mais que suportar as pessoas falsas que te ligavam pra falar a esmo das mesmas coisas fúteis, pois o celular foi levado no último assalto. Aquilo não o incomodava e muito mesmo o traumatizava, afinal de contas o que é um assalto perto dos crimes bárbaros que se vê no jornal? Você é um conformado, que até gostaria de ser alienado.

Uma grande merda, que parece que o fedor só aumenta, a vida. Bandidos matando, políticos roubando, crianças chorando e adolescentes bestas. Então em outros tempos você se revoltaria e mataria todos ou faria um protesto. Nada, isso daria trabalho, melhor é escutar a bandinha da vez em seu ipod e planejar o príncipe encantado e depois se deitar com o namorado ogro. Se lembra quando você pensava que as coisas iam se ajeitar? Agora você ri, por perceber que terá sorte se as coisas não piorarem.

Aprender a tocar uma música sobre amor, recitar poesias ao meio de um bando de bêbados fodidos.
Isso seria pirar de vez. Talvez você precise pirar de vez. Virar hippe ou um pescador solitário.

Você joga a roupa no cesto, entra no boxe e liga o chuveiro. Então coloca somente a mão direita para sentir a temperatura aumentar, a água tem que estar quente, pois a vida já anda muito fria.

Esquentar o corpo, vestir uma bela roupa, abrir um sorriso e camuflar o vazio.
No fim...
Você chora com o som no volume máximo!
E sorri. Ao menos toda essa dor é verdade.

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