Sempre soube que ele existia, como sei que marte existe. Só que nunca havia visto, sentindo sua presença, entendido que é real e que realmente poderia aparecer um para mim. Sempre amei o ipê branco, mesmo sem a certeza de seu existência, e quanto mais o medo e a dúvida crescia de nunca conseguir encontra-lo o amava mais e mais, como um amor que se alimenta da saudades de tudo que ainda não vivi. Talvez seja estranho amar algo que não se tem, que não seu viu, mas o ipê me transmitia uma paz inexplicável, me deixava uma ânsia de poder lhe encontrar na próxima rua. A cada semana sentia estar chegando bem perto dele, essa sensação foi o que me nutriu durante os meses que se passava.
Quando finalmente me cansei de procurar (mas ainda acreditando que ele existia), resolvi que se ele quisesse aparecer não ia ser necessária eu continuar a buscar, pelo menos aquele semana eu havia vestido uma proteção, caso as coisas continuassem a não dar certo ou estacionadas eu não teria nem uma expectativa, assim não poderia me decepcionar.
Mas a vida é uma loucura, e quando você menos espera as coisas começam a acontecer. Dia 31, terça-feira. Você me diz : 'Vamos? Acho que vi ele da janela, deve estar por aqui'. Alguém também indiretamente buscava o ipê, resolvi o acompanhar nessa busca. Ele olhava pra frente eu pra trás, ele pra direita eu pra esquerda, nada do ipê branco. Provavelmente aquela busca não ia dar em nada o sol já estava muito quente e então resolvemos parar a busca. Ele parecia decepcionado, eu estava feliz só por conhecer alguem que também buscava o ipê.
Descemos a rua, eu pensava em coisas sem muita importância e ele continuava a olhar em volta.
Ele começo a sorrir e me disse: 'Olha ali está ele, sabia que não estava ficando louco'. Comecei a olhar na direção indicada, de primeira não vi, depois de alguns instantes percebo que o ipê estava do outro lado do muro, provavelmente dentro da casa de alguém. Estava meio distante, mas era belo, tão belo. Agora eu o via e o amava mas ainda, pois o vi como ele realmente era. E o ipê era sensível, branco que parecia estar coberto de neve no meio daquele calor que nem era mais tão infernal. O que senti não se pode explicar, não existe palavras pra descrever. Agora estou tentando toca-lo, ultrapassar o muro, só que sem pressa. Darei o tempo que o ipê branco precisar para finalmente poder o ter e lhe falar todas as coisas que já ensanhei.
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